domingo, 6 de março de 2011

Jogando a poeira no ventilador I: ProUni


Se há uma instituição humana que merece meus sinceros parabéns é o estado, nem o casamento que é uma outra instituição hipócrita chega aos seus pés.
Estou começando a postar sobre os programas do governo que ajudam a manter o sistema com a desculpa de "beneficiar a população", o meu alvo de hoje é o ProUni.
Mas não serei hipócrita, sei que muitas pessoas (até quem não precisa) são beneficiadas pelo ProUni, mas o caso curioso dele é que o dinheiro que o governo investe em UMA bolsa do desse programa, daria pra abrir mais TRÊS VAGAS para vestibulandos nas universidades públicas.
É óbvio que não é interessante investir nas Universidades Públicas, isso seria sucatear o sistema privado e começar a derrocada do capitalismo, então o governo faz isso, arruma "meios de desviar verba do público para o privado."
Eu ñ sou contra o capitalismo, sem dúvida esse sistema foi o que mais "se ajustou" as necessidades da minoria humana e como eu ainda estou nessa minoria não posso reclamar, mas o q me p. da vida são os mecanismos sujos que o mantêm. E a cada momento que descubro essa podridão, me sinto lesada, pior ainda, é depois lembrar que o resto da população continua sendo lesada como eu, enquanto todos os anos a maioria dos estudantes de todo o país enfrentam um ano infernal, para compor a parcela dos 10% de discentes de uma Universidade pública.

Mas é assim, para existir dominadores precisamos de dominados, termino este post com um trecho da música do Cazuza "Dias sim, Dias não, eu vou sobrevivendo sem um arranhão, da caridade de quem me detesta."

sábado, 5 de março de 2011

Partes interessantes do livro " A cura de Schopenhauer"

" Trabalho, preocupação, cansaço, problemas é o q enfrentamos quase a vida inteira. Mas se todos os desejos fossem satisfeitos de imediato, com o que as pessoas se ocupariam e como passariam o tempo? Suponhamos que a raça humana fosse transferida para utopia, lugar onde tudo cresce sem precisar ser plantado e os pombos voam assados ao ponto, onde todo homem encontra sua amada na hora e ñ tem dificuldade em continuar com ela: as pessoas então morreriam de tédio, se enforcariam, se estrangulariam ou se matariam e assim sofreriam mais do que já sofrem por natureza" (alguém tem dúvida disso? eu pessoalmente ñ tenho)
" Em primeiro lugar, o homem nunca é feliz, porém passa a vida lutando por algo, pensando que vai fazê-lo feliz, não consegue, e quando consegue, se desaponta: é um náufrago e chega ao ponto sem mastros e sem cordames. Portanto ñ se trata de ser feliz ou infeliz, pois a vida não é senão o momento presente, que está sempre sumindo e, finalmente
, se acaba."

Uma verdadeira comédia crítica

A mulher que morreu de topada
(Tragédia em um ato)
Luis Fernando Verissimo
O velório da Dona Saúde. Ela está estendida sobre uma mesa, que faz a vez de caixão. A única outra peça de cenário é um banco de praça, ou cadeiras imitando um banco de praça. O marido da Dona Saúde está ao lado do “caixão”. Chega uma mulher e abraça o marido
1ª Mulher: - Que desgraça. Que tristeza. Pobre da dona Saúde.
Marido: - E pobre de mim, que fico sem Saúde.
A 1ª mulher vai espiar a morta. Entra outra mulher e também abraça o marido.
2ª Mulher: - Que tragédia. Que pena. A Saúde, quem diria...
Marido: – Pois é. O que fazer? Foi uma fatalidade.
A 2ª mulher vai espiar a morta. Entra um homem e também abraça o marido.
1° Homem: - Meus pêsames. Que choque. Perder a Saúde assim...
Marido: - Obrigado. Eu sei. Preciso me consolar.
O 1º homem vai espiar a morta. Entra outro homem e também abraça o marido, antes de ir espiar a morta.
2° Homem: - Meus sentimentos. Que horror. E logo a Saúde, que parecia tão...saudável.
Marido: - Nem tanto, nem tanto. Há anos ela não vinha bem. E culminou com a topada.
1ª Mulher: - Ela morreu de topada?!
Marido: - Bem, a topada foi só o começo. Ela morreu por falta de atendimento médico.
1ª Mulher: - Hmmm...
2ª Mulher: - A velha história...
1° Homem: - Ó Brasil, ó Brasil...
2º Homem: - Mas conte como foi.
Marido: - Bem, foi assim. Nós estávamos passeando na pracinha e...(ELE OLHA EM VOLTA, PROCURANDO ALGUMA MANEIRA DE RECRIAR A CENA, E ACABA DIRIGINDO-SE À MORTA) Meu bem, levanta um pouquinho e me ajude a mostrar como foi.
A morta se levanta e eles simulam uma caminhada na pracinha, de braços dados. De repente ela dá uma topada numa pedra invisível.
Saúde: - Ui. Ai.
Marido: - É “ui” ou “ai”?
Saúde: - Qual é a diferença? Doeu.
Marido: - “Ai” é mais que “ui”. É dor de “ai” ou dor de “ui”?
Saúde: - De “ai”, de “ai”. Acho que quebrei o dedinho.
Marido: - Isso só um profissional pode dizer. Sente aqui no banco que eu vou chamar um...
Um homem está passando pelo local (pode ser um dos homens já em cena, fazendo outro papel)
3º Homem: - Precisam de ajuda? Eu posso dizer se o dedinho quebrou ou não.
Marido: - Você é um profissional?.
3º Homem: - Sou, de educação física.
Marido: - Afaste-se da minha mulher.
3º Homem: - Mas eu conheço o corpo humano. Posso...
Marido: - Não ponha um dedo nesse dedinho. Ela precisa de um médico.
Enquanto eles falam a Saúde se contorce no banco para examinar seu dedinho do pé e sente outra dor.
Saúde: - Ai. Ui!
Marido: - É “ai” ou é “ui”?
Saúde: - É “ai”. Acho que destronquei alguma coisa aqui atrás. Ai. Ai!
Marido: - Fique calma. Eu vou buscar ajuda.
Uma mulher está passando pelo local e se oferece
3ª Mulher: - Eu posso ajudar. Sou treinada para ajudar pessoas com...
Marido: - Suas credenciais, por favor. Registro médico.
3ª Mulher: - Não tenho. Faço terapia ocupacional.
Marido: - Afaste-se da minha mulher. Não toque em nada.
3ª Mulher: - Mas...
Marido: - Em nada, ou eu processo você por charlatanismo.
No banco, toda torta, a Saúde começa a chorar
Marido: - O que é isso, agora?
Saúde: - É choro. Eu estou nervosa.
Marido: - Você precisa de atendimento psiquiátrico.
4º homem está passando e se oferece.
4º Homem: - Pode deixar comigo. Eu vou acalmá-la
Marido: - Credenciais
4º Homem: - Como, credenciais? Eu sou psicólogo. Posso ajudar.
Marido: - Não chegue perto da cabeça da minha mulher! (LEVANTANDO A MULHER POR UM BRAÇO) Venha, querida. Vamos para um hospital. Você precisa de atendimento profissional. Esta pracinha está cheia de amadores. Uma ameaça à saúde pública.
Mas a Saúde, com o dedinho machucado e toda torta, não consegue dar dois passos e cai.
Saúde: - Ui, ui, ui. Ai ai, ai.
Marido: - É “ui, ui, ui” ou é “ai, ai, ai”?
Saúde: - É ai, ai, ai, ai, ai! Acho que quebrei outra coisa.
4ª mulher está passando e se oferece.
4ª Mulher: - Deixe-me ajudar.
Marido: - Registro médico.
4ª Mulher: - Eu sou fisioterapeuta. Posso...
Marido: - Pode nada. Não toque na minha mulher. Não chegue perto de um osso. (NOTA QUE A SAÚDE ESTÁ QUIETA) Saúde. Saúde! O que está havendo com você?
Saúde (mal podendo produzir o som): - Iamm...Iomm...
Marido: - É “iam” ou é “iom?
Saúde (Desfalecendo): - Brrrm...
Marido: - “Brrrm” em que sentido?
Entrou a 5ª mulher, que esteve assistindo esta cena.
5ª Mulher: - Ela perdeu os sentidos. Pode ser o coração.
Marido: - Como você sabe? Você é médica?
5ª Mulher: - Não, sou enfermeira, e sei o que fazer nestes casos.
Marido: - Não se aproxime da minha mulher. Ninguém se aproxime. Vou levá-la para um hospital.
Entrou 5º homem.
5º Homem: - Eu ajudo. Podemos levá-la no meu carro.
Marido: - Você está dirigindo uma ambulância?
5º Homem: - Ambulância? Não. Estou dirigindo o meu carro. Está estacionado ali e...
Marido: - Carteira de motorista.
Todos (em Uníssono): - O que?!
Dona Saúde levanta-se do chão e caminha, resignadamente, para o “caixão”, onde deita-se de novo. Todos cercam o caixão.
Marido: - E foi assim que a Saúde morreu de uma simples topada, e falta de atendimento médico. Coitadinha da Saúde.
Todos (em Uníssono): – Coitadinha...
1ª Mulher: – Ó Brasil, ó Brasil...

Ato médico: Eles têm seus direitos, mas sem passar por cima dos nossos

A medicina é uma das profissões mais antigas do mundo, mas infelizmente eles ainda não têm, como as outras profissões, uma legislação que estipule os seus direitos e deveres como profissionais da saúde. O ato médico veio pra resolver esse problema, ele será a legislação que os profissionais de medicina terão como base para exercerem a sua profissão.
A grande polêmica desse ato é que ele é considerado abusivo pelas outras áreas da saúde. Não há dúvidas de que essa profissão precise ser regulamentada, mas os artigos desse ato além de dar muitos privilégios ele também dobra as responsabilidades destes profissionais, assim tirando o espaço que cabe as outras áreas da saúde.
Um dos artigos do ato médico estipula que cabe exclusivamente ao médico a escolha do profissional que o paciente será encaminhado e o tratamento que deverá ser direcionado a este paciente, entretanto o médico teria que passar o resto de sua vida estudando para poder adquirir competência para fazer isto.
O 3° artigo do ato direciona para as atividades de direção, coordenação, chefia, perícia entre outros cargos, eles só podem ser ocupados única e exclusivamente pelo MÉDICO (acredito que esse absurdo dispensa comentários). As outras profissões da área da saúde só poderão atender alguém se este paciente estiver com o encaminhamenteo médico, caso contrário será considerado um crime.
Eu não sou contra o ato médico, mas acredito que ele deve ter o papel de promover a união entre os profissionais de saúde, pois o nosso objetivo é promover o bem estar físico e mental da sociedade, não há profissão melhor que as outras, pois todas juntas se complementam definindo assim o significado das palavras saúde, bem estar e qualidade de vida.